De jeito simples e com uma simpatia teimosa, a dona de casa Roselaine Zambrano Pinto, 46 anos, a todo momento dirige o olhar para o filho Ezequiel Zambrano Pinto, 7. Nos olhos da mãe, é possível perceber o amor pelo caçula. Mas a doçura do afeto demonstrado não é forte o suficiente para esconder a preocupação e a angustia. Ezequiel sofre de miocardiopatia hipertrófica, uma doença no coração. E corre risco de morte todos os dias.
O medo acompanha Roselaine desde 2009, quando sua filha Carina, na época, com 13 anos, passou mal durante uma aula de educação física. A adolescente foi levada para o o Pronto-Atendimento do Patronato, mas chegou no local sem vida. Com a morte trágica e precoce de Carina, o médico pediu que os outros quatro filhos de Roselaine se submetessem a exames. O resultado foi o que a mãe jamais gostaria de receber: todos tinham problemas cardíacos.
No ano passado, a dor devastou mais uma vez a alma da dona de casa. Jonatas, o quarto entre os filhos, morreu aos 9 anos, depois de ficar 21 dias hospitalizado em decorrência de problemas no coração. Meses depois, a mãe viveu seu pior pesadelo pela terceira vez: o filho Magaiver morreu aos 15 anos. Ele se sentiu mal e, até ser atendido e encaminhado para o hospital, sofreu seis paradas cardíacas.
Hoje, Roselaine reúne forças e amor para Ezequiel e a filha mais velha, Marilise, 22 anos. No início do ano, a primogênita deu um susto na família. Precisou implantar um marca-passo no coração. Marilise é mãe de duas meninas: Hayanne, 6 anos, e Tainá, 1 ano e 9 meses. A mais nova já toma remédios controlados para o coração.
Cirurgia no coração custa cerca de R$ 15 mil
Ezequiel precisa de uma cirurgia. Ele já tem um cateter no coração, mas tem de implantar um Holter, aparelho que monitora o coração. O procedimento custa R$ 15 mil. A família é pobre e não pode pagar pela garantia de vida do menino.
Roselaine está reunindo documentos para fazer um pedido judicial, na Defensoria Pública, mas precisa voltar para Porto Alegre, no médico que trata o filho, para buscar um atestado. Ainda sem data para viagem, a mãe vive a angústia da demora:
_ Me disseram que pode demorar de seis meses até um ano para eu conseguir a cirurgia para ele na Justiça. E a vida do meu filho é urgente. O médico explicou que a doença se desenvolveu muito rápido. Da outra vez, o meu filho se desesperou. Achou que ia morrer. Chorou tanto. Queria que todo mundo fosse ver ele antes da cirurgia. Ele acompanhou a historia dos irmãos e ficou impressionado _ diz a mãe, pesarosa.
Enquanto espera ganhar o custeio do procedimento do filho, ela redobra os cuidados com seu menino: nada de esforço físico, para evitar cortes e machucados e resfriados. A essa altura, a doença também prejudica o desempenho da criança na escola, já que há dias ele está fraco e não pode ir para a aula. Ezequiel sente cansaço e falta de ar.
Até que uma solução seja encontrada, Roselaine não tira os olhos do menino. E não perde a esperança que a cirurgia possa ser feita o quanto antes:
_ Eu fico me perguntando como é que eu consegui. Não sei de onde veio tanta força. Há dias que dá vontade de desistir, mas eu aguento firme por causa dele, do meu pequeno, que precisa de mim.